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Endometriose, Women's Health

O que é Endometriose?

Endometriose ocorre quando os tecidos do endométrio (revestimento interno do útero) são encontrados fora do útero. Esses tecidos endometriais podem estar localizados na pélvis, ovários, trompas de falópio, bexiga, intestino, vagina e outras áreas do corpo. É uma doença comum que afeta 1 em cada 10 mulheres durante os anos reprodutivos. O que causa a endometriose? A causa exata da endometriose é desconhecida, provavelmente existe um componente genético ativado por fatores hormonais e pelo sistema imunológico. O envolvimento genético é considerado por ser uma doença rara em afro-caribenhos e comum em mulheres asiáticas. Sintomas da endometriose Durante o ciclo menstrual, o revestimento interno do útero engrossa para receber um óvulo fertilizado. Se o óvulo não for fertilizado, a gravidez não acontece e o revestimento interno do útero se decompõe causando o sangramento menstrual. O tecido endometrial localizado fora do útero também responde às mudanças hormonais durante o ciclo menstrual, engrossa e se decompõe. No entanto, este tecido não pode deixar o corpo em forma de menstruação porque está preso fora do útero. A endometriose pode não causar sintomas em algumas mulheres, enquanto outras mulheres podem ser gravemente afetadas. Os sintomas dependem da área do  corpo em que a endometriose está localizada. A dor é uma queixa frequente devido à inflamação e a cicatrização causada pelo processo. Os sintomas mais comuns incluem: Dor pré-menstrual ou menstruação dolorosa/intensa Dor na parte inferior da pélvis (geralmente associada aos ciclos menstruais) Dor durante as relações sexuais Sangramento entre os ciclos menstruais Problemas de fertilidade (danos aos ovários ou trompas de falópio) Diagnóstico da endometriose A endometriose pode ser difícil de se diagnosticar. Isso ocorre porque os sintomas variam de mulher para mulher e eles podem ser semelhantes a outros problemas, como por exemplo a doença inflamatória pélvica. Além disso, um diagnóstico definitivo só pode ser feito através da laparoscopia, que é um procedimento invasivo com riscos de complicações. Durante a laparoscopia, uma câmera fina é inserida na barriga para permitir a visualização direta do útero, trompas de falópio, ovários e outros órgãos pélvicos. Uma ultrassonografia pélvica pode ser usada para verificar o útero, as trompas de Falópio, os ovários e para detectar cistos associados à endometriose. No entanto, um ultrasson normal não exclui o diagnóstico, especialmente quando a endometriose está localizada superficialmente na pélvis. Pode demorar de 4 a 10 anos entre o primeiro relato dos sintomas e a confirmação do diagnóstico. Tratamento para a endometriose No momento, não há cura para a endometriose. Os tratamentos disponíveis visam aliviar os sintomas, aumentar as chances de engravidar e melhorar a qualidade de vida das mulheres que convivem com a doença. As opções incluem: • Controle da dor – a dor pode ser controlada com medicamentos anti-inflamatórios como o ibuprofeno. Eles funcionam de forma mais eficaz se tomados no dia anterior a menstruação diminuindo a inflamação causada pela endometriose. Em situações mais graves, analgésicos mais fortes podem ser administrados e um encaminhamento para uma equipe especializada em dor pode ser feito se a dor não estiver controlada. • Tratamento hormonal – o hormônio pode ser administrado para reduzir ou interromper a ovulação. Isso diminuirá a produção de estrogênio e diminuirá a endometriose. A escolha do tratamento hormonal depende se a paciente deseja engravidar ou não, pois alguns medicamentos são anticoncepcionais e outros não. Existem quatro tipos de tratamentos hormonais: a pílula anticoncepcional, os progestágenos, os antiprogestágenos e o hormônio liberador de gonadotrofinas. • Tratamento cirúrgico – a cirurgia pode remover áreas de endometriose para melhorar a dor e a fertilidade. O procedimento geralmente é feito durante o diagnóstico de laparoscopia. Em casos graves, no entanto, os cirurgiões discutirão os achados da laparoscopia com o paciente antes de oferecer um tratamento cirúrgico. Embora a cirurgia melhore a dor e a fertilidade das mulheres, a endometriose às vezes pode reaparecer. Conclusão A endometriose é uma condição comum que afeta as mulheres durante os anos reprodutivos. O tratamento deve ser personalizado de acordo com a gravidade dos sintomas e a importância em manter a fertilidade. A endometriose é uma doença complexa e variável que ainda desafia a ciência moderna. O reconhecimento de que o diagnóstico precoce pode retardar a avanço da doença e limitar as consequências a longo prazo oferece suporte atual às mulheres. Enquanto isso, esperamos por um tratamento mais específico a ser desenvolvido no futuro. Nota. O artigo expõe uma visão  embasada em evidências científicas atualizadas. Não deve ser usado como um conselho individual, que deverá ser obtido com o seu médico.

Menstrual Period, Women's Health

Entendendo a síndrome dos ovários policísticos

A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é o nome dado a um grupo de sintomas causados por um desequilíbrio hormonal nos ovários. Esta é uma condição muito comum que afeta mais de 10% das mulheres em idade reprodutiva. A variação hormonal pode causar problemas menstruais, problemas de fertilidade, ganho de peso e crescimento excessivo de pelos. O que causa a SOP? A causa exata da SOP ainda não é conhecida, embora esteja relacionada à história familiar, obesidade e desequilíbrio hormonal, incluindo resistência à insulina. A insulina é um hormônio que controla os níveis de açúcar no corpo. Se as células do corpo se tornarem resistentes ao efeito dos níveis normais de insulina, mais insulina será produzida para manter o açúcar no sangue normal. Este aumento de insulina contribui para um aumento na produção de outros hormônios como a testosterona. Além disso, a obesidade também aumenta a quantidade de insulina produzida pelo organismo. Quais são os sintomas da SOP? Os sintomas da SOP geralmente se tornam aparentes no final da adolescência ou início dos 20 anos. Eles podem mudar com o tempo e podem variar de mulher para mulher. Os sintomas são causados por um nível excessivo de insulina e testosterona, incluindo: Períodos irregulares ou nenhum período Dificuldades para engravidar devido à uma redução da fertilidade Excesso de pelos na face, barriga e costas (hirsutismo) Perda ou afinamento do cabelo da cabeça (alopecia) Pele propensa a acne que pode persistir além da adolescência Ganho de peso e aumento do risco de diabetes tipo 2 Problemas emocionais (ansiedade, depressão, distorção da imagem corporal) Como diagnosticar a SOP? O diagnóstico de SOP é feito quando dois dos 3 critérios a seguir estão presentes: Períodos irregulares ou pouco frequentes – isso indica que a ovulação não está acontecendo mensalmente Sintomas e/ou exames de sangue que mostram níveis excessivos de testosterona. por exemplo. acne, aumento de pelos faciais ou corporais ou exame de sangue com altos níveis de andrógenos. Ultrassonografia demonstrando ovários policísticos Os exames de sangue são úteis para descartar outras condições hormonais em caso de dúvida sobre o diagnóstico. Uma ultrassonografia pode ser usada como um dos dois critérios para fazer o diagnóstico se múltiplos cistos forem observados nos ovários. No entanto, é possível ter SOP sem múltiplos cistos nos ovários. Quais são os tratamentos para SOP? Mudanças no estilo de vida é a melhor maneira de melhorar os sintomas de SOP e previnir riscos a saúde a longo prazo. Não há cura para a SOP, mas existem vários medicamentos disponíveis para tratar os sintomas causados pela doença. Por exemplo: Períodos irregulares podem ser controlados com pílula anticoncepcional A fertilidade pode ser controlada com citrato de clomifeno, metformina, letrozol ou fertilização in vitro sob a supervisão de uma equipe clínica de fertilidade A acne pode ser controlada com pílulas anticoncepcionais o isotretinoína A depressão pode ser tratada com acompanhamento psicológico e medicação, se necessário. A medicação por si só não demonstrou ser melhor do que ter uma boa dieta, manter se fisicamente ativo e prevenir o ganho de peso. Problemas de saúde a longo prazo relacionado à SOP? A SOP causa um risco aumentado no desenvolvimento de problemas de saúde de longo prazo, geralmente relacionados à resistência à insulina e ao excesso de peso, e não necessariamente envolvidos a SOP. Possíveis problemas de longo prazo da síndrome do ovário policístico incluem: Obesidade Hipertensão arterial e doenças cardiovasculares Altos níveis de colesterol Desenvolver diabetes tipo 2 Câncer do endométrio No entanto, esses riscos podem ser reduzidos com uma dieta saudável e equilibrada, exercícios regulares e redução de peso. Concluindo A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é um nome dado a uma condição que afeta o funcionamento dos ovários da mulher. Há um excesso de níveis de testosterona que pode contribuir para uma pele propensa a acne, aumentar o crescimento de pelos no rosto, ganho de peso e mestruação irregulares. Não há cura para SOP disponível no momento, mas os sintomas podem ser controlados com mudanças no estilo de vida. A medicação hormonal geralmente ajuda a corrigir os sintomas da SOP se engravidar não for o objetivo da mulher.

Menstrual Period, Women's Health

Fluxo menstrual intenso: causas e tratamento 

O fluxo menstrual intenso é um sintoma comum entre as mulheres no Reino Unido e no mundo. Este sintoma pode ter um impacto físico, emocional, social e financeiro na vida de uma mulher, mas não significa necessariamente um sinal de que algo esteja errado. O tratamento pode não ser necessário em alguns casos. No entanto, com a intervenção certa, a mulher pode recuperar sua qualidade de vida. O que é considerado fluxo menstrual intenso? A percepção de sangramento menstrual intenso é subjetiva. A maioria das mulheres sabe o que é sangramento normal para elas durante a menstruação. Elas conseguem dizer se houve uma mudança na menstruação quando o sangramento se torna mais leve, mais pesado ou irregular. Portanto, geralmente não é necessário medir a perda de sangue. No entanto, um período abundante é uma perda de sangue de 80 ml ou mais por mês. Isso significa que é provável que uma menstruação seja considerada intensa se: Você precisa trocar o absorvente ou tampão a cada 1 ou 2 horas Você precisa usar 2 tipos de produtos higiênicos juntos (por exemplo, tampões e absorventes ao mesmo tempo). Você expeliu coágulos sanguíneos. Você sangra em suas roupas ou roupas de cama. Seu período dura mais de sete dias. Você se sente cansada logo após a menstruação. Você evita atividades físicas ou falta ao trabalho por causa da menstruação.   O que causa períodos intensos? A maioria das causas pelas quais alguém pode sofrer de sangramento menstrual intenso deve-se ao sangramento uterino disfuncional. O útero, ovários e exames de sangue estão com valores normais. Períodos abundantes são mais comuns quando uma mulher começou a menstruar recentemente ou se está se aproximando da menopausa. Outras causas menos comuns incluem: Condições que afetam o útero, ovários ou hormônios, como miomas (crescimento benigno do útero), endometriose (crescimento de tecido endometrial em locais diferentes da cavidade uterina), síndrome do ovário policístico (cisto nos ovários causando alterações hormonais), hipotireoidismo e inflamação pélvica. Alguns medicamentos, como quimioterapia, medicamentos anticoagulantes e o DIU de cobre (dispositivo intrauterino não hormonal).   Quais os testes para investigar períodos intensos?  A investigação inicial será feita por meio de exames de sangue para verificar condições como anemia (baixo teor de ferro), problemas de tireoide e disfunção de coagulação. Uma ultrassonografia pode ser solicitada para procurar uma causa estrutural dos sintomas. Isso pode detectar miomas, pólipos, cistos ovarianos e outras alterações no revestimento uterino. Uma biópsia endometrial pode ser feita se a ultrassonografia mostrar que o revestimento do útero é mais espesso do que o normal. Isso é feito inserindo um tubo fino na vagina para obter a amostra. Uma histeroscopia pode ser realizada para olhar dentro do útero com uma câmera. Este procedimento envolve a passagem de um telescópio estreito através da vagina. Uma biópsia endometrial (uma pequena amostra) também pode ser feita durante este procedimento. Quais são as opções de tratamento para períodos intensos? O tratamento será específico e dependerá da causa do sangramento. O objetivo do tratamento será reduzir a quantidade de perda de sangue. As opções de tratamento que podem ser consideradas são medicamentos oral durante a menstruação, medicamentos contínuo durante todo o mês e o dispositivo intrauterino hormonal (DIU).  Por exemplo, ácido tranexâmico e anti-inflamatórios podem ser usados durante o período para diminuir o sangramento. As pílulas anticoncepcionais combinadas e as pílulas anticoncepcionais só de progesterona são exemplos de medicamentos a serem tomados regularmente durante o mês.  O “Mirena Coil” é um dispositivo hormonal usado intra-uterino e é o tratamento mais eficaz para sangramento intenso, reduzindo a perda de sangue em até 70-100% em 12 meses. Um procedimento cirúrgico pode ser recomendado dependendo se uma causa estrutural para o sangramento foi encontrada. Por exemplo, a remoção cirúrgica de um grande mioma pode resolver o problema. A histerectomia (remoção do útero) é geralmente uma das últimas opções.  A remoção do útero é 100% eficaz em parar o sangramento excessivo, no entanto, este é um grande procedimento cirúrgico grande aonde os riscos e benefícios devem ser ponderados. Concluindo O sangramento intenso é uma das razões mais comuns pelas quais uma mulher consulta seu médico para aconselhamento no Reino Unido. Geralmente se apresenta como perda intensa de sangue durante a menstruação ou uma menstruação que dura mais de 7 dias. Isso pode ser natural para algumas mulheres ou causado por uma anormalidade no útero ou um desequilíbrio hormonal. O tratamento inclui medicamentos para diminuir o sangramento ou procedimento cirúrgico.  Fale com o seu médico se tiver sintomas de menstruação abundante.

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Seja Bem-vinda!

Olá! Seja bem-vinda! Aqui você irá encontrar, de forma fácil e simples, informações confiáveis sobre a Saúde da Mulher em geral, além de explicações sobre os sintomas e tratamentos para a Perimenopausa e Menopausa, fases tão importantes, mas infelizmente muitas vezes mal diagnosticadas por alguns profissionais de saúde. Diante dos desafios e inúmeros compromissos da nossa vida cotidiana, sabemos o quanto é difícil priorizarmos a nossa saúde física e mental, e nada melhor do que dispormos de um suporte profissional especializado para nos ajudar nessa jornada. Por isso, gostaria de lhe oferecer o meu apoio para que possamos juntas atingir os objetivos para uma vida plena e mais saudável. Para mim, é uma honra poder estabelecer essa conexão direta com você. Espero poder ajudá-la através das informações fornecidas neste website e contatos profissionais. Mas, antes de tudo, gostaria de me apresentar e contar um pouco sobre a minha história como médica, mãe e acima de tudo, mulher. Desafios pessoais Sou Dra. Alba Pereira, trabalho atualmente como Especialista em Menopausa para o NHS (Serviço Nacional de Saúde – National Health Service) no Imperial College, em Londres, Reino Unido.  Há cerca de 20 anos, resolvi me mudar para a Inglaterra, saindo do Brasil, onde fiz Faculdade de Medicina, Residência como Cirurgião Geral, e estava começando minha especializacão em Cirurgia Plástica. Nessa época, decidi vir para Londres para morar com meu noivo. Deixei meu emprego, minha independência financeira, meu inglês era nivel básico e eu estava grávida de 7 meses. A frustração de não entender o sistema de saúde associado à barreira do idioma foi enorme. Lembro de uma ocasião, levando minha filha recém-nascida para receber a primeira vacina com a enfermeira no GP (General Practitioner), e eu não conseguia entender nenhuma instrução. A sensação de impotência, exclusão e de não pertencimento àquela sociedade era enorme e estava me afetando de uma forma negativa, pois minhas necessidades básicas não estavam sendo atendidas.  Eu não estava feliz de uma forma geral, meu casamento não estava indo bem, eu não tinha dinheiro ou nenhum suporte familiar de ajuda com minha filha. Então decidi reorganizar minha vida e o primeiro passo foi melhorar minha comunicação aprendendo inglês e tentando entender o ambiente que eu estava inserida.  Não foi fácil, mas foi possível. Hoje, trabalho como GP, médica da família, no Imperial College no Centro de Londres. Sou apaixonada pela diversidade, inclusão social e saúde da mulher, que terei o prazer em dividir com vocês.  Com relação às pautas para este blog, podemos começar falando sobre o NHS de uma forma geral. Estou aberta para sugestões sobre temas médicos, esclarecer dúvidas sobre o funcionamento do NHS ou dar dicas de saúde e bem-estar.  O que é NHS?  O NHS (Serviço Nacional de Saúde – National Health Service) é o sistema de saúde com financiamento público na Inglaterra e um dos quatro sistemas de Serviço Nacional de Saúde no Reino Unido. É o segundo maior sistema de saúde de pagador único do mundo, depois do Sistema Único de Saúde brasileiro. Trata-se de um sistema complexo, que está em mudança contínua desde a sua criação. Essas mudanças estão acontecendo de uma forma acelerada ultimamente por causa do envelhecimento da população, do surgimento de medicamentos caros, do Brexit e devido à pandemia causada pelo Covid-19. Todos os setores do NHS estão sendo reformulados, o que torna difícil mesmo para nós funcionários entendermos as novas regras.  Exigir que o paciente entenda essas etapas de forma automática seria no mínimo irrealista da parte de um profissional de saúde. Até mesmo o paciente nativo da Inglaterra necessita ser guiado através do sistema. Quando um paciente solicita esclarecimentos de dúvidas ou questiona as opções oferecidas pelo NHS, ele não está demostrando fragilidade mas sim maturidade. Estes esclarecimentos proporcionarão segurança para tomar decisão conscientes. Mas para isso, o paciente tem que estar aberto para entender um sistema diferente do modelo que ele estava acostumado. Este sistema não é perfeito e tem necessidade urgente de reformas. Por outro lado, o NHS é um sistema público de saúde que oferece qualidade de tratamento sem fins lucrativos para pessoas de todas as classes sociais, um sistema que sobrevive em um mundo capitalista bombardeado por uma indústria farmacêutica altamente desenvolvida. Eu tenho certeza que a nossa jornada neste blog será muito gratificante, principalmente para mim que também sou imigrante e passei por dificuldades da mesma forma que a maioria dos leitores. Se educar a respeito do ambiente em que estamos vivendo, incluindo o sistema de saúde, abrirá caminhos para uma vida mais saudável com mais qualidade de vida em todos os sentidos. Aguardo sugestões para as próximas pautas do blog e procurarei incluir o funcionamento do NHS de acordo com o tema escolhido. Desde já agradeço seu companheirismo durante essa nova jornada. Obrigada,Dra. Alba Pereira

NHS

Como continuar seu tratamento médico no Reino Unido?

Se você mudou-se recentemente para o Reino Unido, mas ainda está sob tratamento médico, é importante continuar com os seus medicamentos regulares, especialmente se você sofre de doenças consideradas crônicas.  Assim que chegar ao Reino Unido, você deve se registrar no NHS (National Health Service). Essa é a maneira mais eficaz de ter suas prescrições de rotina, monitorar sua doença e manter seus registros médicos atualizados no País. O NHS significa Serviço Nacional de Saúde. Refere-se aos serviços médicos e de saúde financiados pelo governo, que todos que vivem no Reino Unido podem usar sem serem solicitados a pagar o custo total do serviço. Esses serviços incluem: Registro no NHS O médico de família (GP – General Practitioner) será o primeiro ponto de contato para quase todos os pacientes do NHS. Se você planeja morar na Inglaterra, você precisa se registrar em uma clínica de General Practice (GP) local. O serviço é gratuito, aberto para todos, você não precisa ter um documento de identidade, comprovante de endereço ou comprovante do seu status migratório. É aconselhável registrar-se em um consultório do GP próximo a sua residência. Pesquise no Google “find a gp nhs.uk”, abra o site e preencha a caixa com seu código postal/CEP. A página da internet exibirá uma lista com várias clínicas que você poderá se registrar (visite ou pergunte recomendações para seus vizinhos antes de fazer o registro).  Os GPs são especialistas em medicina familiar, cuidados preventivos, educação em saúde e tratamento de pessoas com doença crônicas e complexas. Os GPs podem emitir suas prescrições e encaminhá-lo para outros serviços do NHS, se necessário. Monitoramento de doenças Depois de se registrar em um GP, você virá para sua primeira consulta e informará seu GP sobre suas condições pré-existentes. Fazer o monitoramento da sua doença será tão importante quanto ter medicamentos anteriores emitidos. Nosso corpo muda o tempo todo, mudar para outro clima pode piorar ou melhorar algumas doenças. Isso é commum em patologias respiratórias, alérgicas e imunológicas e exige a troca de medicamentos (ex. asma, psoríase).  Os profissionais de saúde no Reino Unido trabalham com protocolos. Podemos ser flexíveis considerando o melhor interesse do paciente, mas não podemos prescrever um medicamento que não seja licenciado neste país (ex. alguns medicamentos contra o câncer). Neste caso vamos oferecer outro medicamento e monitorar a sua eficácia. Além disso, alguns diagnósticos no Reino Unido automaticamente acionam outros programas criado para prevenir complicações causado pela própria doenca. Por exemplo, todos os pacientes diabéticos devem procurar ter um bom controle do açúcar no sangue e devem fazer revisão anual do diabetes. A frequência das consultas para o controle do açúcar depende da gravidade de cada caso. Mas o programa anual é para todos e inclui revisão do colesterol, pressão alta, problemas oculares e danos nos nervos periféricos. Os medicamentos podem mudar de acordo com os resultados desses testes. Emergência Se você estiver na Inglaterra para uma visita curta e necessite de atendimento médico, você poderá se registrar em um GP como paciente temporário. Você precisa estar neste local por mais de 24 horas e menos de 3 meses. Em caso de dúvidas com sua prescrição, os farmacêuticos poderão ajudar, eles são altamente qualificados e trabalham na comunidade. Você pode ligar para NHS 111 para outros esclarecimentos ou se não tiver certeza de qual serviço do NHS você precisa, funciona 24 horas por dia, 7 dias da semana. Ligue para o 999 ou vá para a emergência se estiver gravemente doente ou ferido. Conclusão O mais importante para qualquer problema médico é ser bem tratado de forma holística. Alguns pacientes que mudam de país podem conseguir isso com prescrições semelhantes que costumavam usar, enquanto outros precisaram de um tratamento diferente. O corpo humano muda continuamente e a forma como tratamos as doenças pode ser diferente de um país para outro. Tenha medicação suficiente por pelo menos 4 semanas antes de se mudar para outro país e procure aconselhamento médico assim que chegar ao seu destino. Isso lhe dará tempo suficiente para conhecer o novo sistema e não ficar sem medicamentos.

HPV

Como prevenir câncer do colo do útero

Em todo o mundo, estima-se que 604.127 mulheres foram diagnosticadas com câncer cervical, ou câncer do colo do útero, em 2020, segundo dados da cancer.net. As taxas de incidência de câncer do colo do útero caíram mais de 50% entre meados dos anos 1970 e meados dos anos 2000 devido, em parte, a um aumento do uso de testes, que podem detectar alterações cervicais antes que se tornem cancerígenas. O câncer cervical é um câncer que pode ser encontrado em qualquer parte do colo do útero. Quase todos os cânceres cervicais são causados por uma infecção de certos tipos de papilomavírus humano (HPV).  O câncer cervical geralmente cresce muito lentamente. A gravidade depende de quão grande é, se se espalhou e da sua saúde geral. Desmistificando o câncer do colo do útero O exame preventivo do colo do útero (Papanicolau) é uma das melhores formas de se proteger do câncer do colo do útero. O teste verifica a saúde do colo do útero (a abertura entre a vagina e o útero). O programa preventivo do câncer do colo do útero do NHS reduziu o número de mortes por cancer do colo do útero em até 70% desde a sua introdução, há mais de três décadas, segundo dados do “Cancer Research UK”. Quem é elegível para o exame preventivo do colo do útero? O exame preventivo está disponível para mulheres e pessoas com colo do útero com idade entre 25 e 64 anos no Reino Unido. Todas as pessoas elegíveis que estão registradas com um médico da família, receberão automaticamente um convite por correio. Homens transgêneros não recebem o convite automático se estiverem registrados no médico da família com sexo masculino, porem são incentivados a fazerem o teste. Sinais & Sintomas É importante estar de olho nos sinais e sintomas que seu corpo apresenta. A causa pode ser uma condição médica que não seja câncer, por isso é importante procurar atendimento médico se os sinais e sintomas persistirem. Qualquer um dos seguintes podem ser sintomas ou sinais de câncer cervical: Manchas de sangue ou sangramento leve entre ou após os períodos Sangramento menstrual mais longo e mais intenso do que o normal Sangramento após relação sexual, duchas higiênicas ou exame pélvico Aumento do corrimento vaginal Dor durante a relação sexual Sangramento após a menopausa Dor pélvica e/ou nas costas inexplicável e persistente Quanto mais cedo células pré-cancerosas ou câncer no colo do útero forem encontradas e tratadas, melhor a chance de que o câncer possa ser prevenido ou curado. O que acontece durante a sua consulta? O exame Papanicolau geralmente é feito por uma enfermeira. A consulta toda demora aproximadamente 10 minutos. Você precisará se despir, em privacidade, da cintura para baixo. Você receberá um papel descartável para colocar sobre você enquanto o teste é realizado. A enfermeira pedirá que você se deite em uma cama, geralmente com joelhos dobrados e separados a com os pés juntos. Eles colocarão suavemente um tubo pequeno (espéculo) em sua vagina. Uma pequena quantidade de lubrificante pode ser usada. A enfermeira abrirá o espéculo para que possam ver seu colo do útero. Ela usará uma escova macia para coletar uma pequena amostra de células do colo do útero. O espéculo será removido e você poderá se vestir.  Você pode ter um pouco de sangramento depois, o que é totalmente normal. Resultados Para mais info, continue lendo nosso blog, no post: HPV e o Câncer do Cólo do Útero.

HPV

HPV e o Câncer do Colo do Útero

O papilomavírus humano (HPV) é o nome de um grupo muito comum de vírus. A maioria das pessoas contrai algum tipo de HPV durante a vida através do contato direto da pele com pele da área genital (não apenas por sexo com penetração). Na maioria dos casos, o nosso corpo irá combater o HPV sem causar problemas. No entanto, alguns tipos de HPV podem causar câncer. A descoberta de que o câncer do colo do útero, ou câncer cervical, é causado pelo HPV em mais de 99% dos casos, facilitou a detecção precoce do câncer do colo do útero. Atualmente, a amostra de células removidas do colo do útero é testada para HPV ao invés de procurar células anormais como acontecia no passado. O que seus resultados significam? Resultado negativo para o HPV: a maioria das pessoas não exibiria o vírus no teste. Isso significa que seu risco de contrair câncer do colo do útero é muito baixo. Você não precisa de mais testes e será convidado para repetir o teste preventivo a cada 3 ou 5 anos. Resultado positivo para o HPV: Se o HPV for encontrado em sua amostra, a mesma amostra será examinada ao microscópio para verificar se o HPV causou alterações celulares anormais. Se o HPV for encontrado, mas não houver células anormais: você será convidado para repetir o teste preventivo anualmente. Isso verificará se seu sistema imunológico eliminou o vírus. Se o HPV for encontrado e houver células anormais a qualquer momento durante o teste preventivo ou durante a revisão de anual, você será encaminhado para fazer uma Colposcopia. A Colposcopia é um exame médico mais detalhado porque usa um instrumento para ampliar o colo do útero. O médico informará a gravidade das células anormais e discutirá alguns tratamentos que podem ser feitos durante a Colposcopia. O tratamento pode usar técnicas de congelamento, queima, laser ou remoção. Vacinação contra o HPV Desde 2008, as meninas com idade entre 12 e 13 anos são vacinadas contra o HPV. A vacina é mais eficaz em jovens e agora é oferecida também para aos meninos. A vacina protege contra os 4 tipos mais comuns do HPV que são conhecidos por causar câncer do colo do útero. A vacina não protege contra todos os tipos de HPV. Isso significa que as meninas que receberam a vacina contra o HPV ainda precisam fazer o exame preventivo a partir dos 25 anos. Conclusão O Papanicolau e a vacinação contra o HPV são extremamente eficazes na prevenção do câncer do colo do útero. No entanto, os números mais recentes sugerem que apenas 70,2% dos elegíveis estão em dia com a triagem e 76,7% estão vacinados. A principal barreira para as mulheres serem proativas nos cuidados com a saúde do colo do útero é o constrangimento causado pelo exame especular. O NHS England está atualmente testando abordagens de amostragem sem espéculo e auto amostragem vaginal como meio de diminuir o desconforto durante o exame. Enquanto isso, é importante continuarmos a falar sobre os riscos do câncer do colo do útero. Superar o constrangimento e stigma, muitas vezes associadas a esse tipo de teste clínico, será fundamental para melhorar a saúde e a vida das mulheres.

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